domingo, 18 de abril de 2010

Historiografia feminina



Mexo, remexo na inquisição



Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão


Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra


Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta


Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é


bunda


Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem (...)


Sou rainha do meu tanque, sou Pagu3 indignada no palanque


Fama de porra-louca, tudo bem, minha mãe é Maria ninguém


Não sou atriz, modelo, dançarina


Meu buraco é mais em cima (...).

Pagu, Rita Lee e Zélia Duncan-
 
      A Pesquisa da Fundação Carlos Chagas sobre a historiografia feminina no campo do trabalho  nos traz  contribuições importantes  e nos remetem a questões históricas sobre a discriminação feminina no mercado de trabalho como a precariedade dos serviços e remuneração.
Esses são marcadores importantes que absorvem como referenciais nesse belo trabalho realizado pelos Cadernos de Pesquisa, v. 137, n. 132.
Existe também , nesse volume, a apropriada conotação da maternidade como problematizador das relações trabalhistas que as mulheres exercem no Mercado.
Entretanto, a m[idia a serviço de uma possível alienação sobre a figira feminina, apregoa que as mulheres conquistaram um espaço no mercado de trabalho que as possibilita a participar de igual para igual o espaço da selva de pedra.
Houveram mudanças várias, mas cabe a nós pais e educadores, fundamentar a inserção social da mulher no mercado de trabalho, desfazendo as identidades cristalizadas e rompendo  com modelos  arcaicos e ultrapassados empenhados na transformação das identidades femininas e masculinas para que construamos um conjunto harmônico que possibilite uma sociedade justa, firmada em valores universais.
 

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A Flor da Honestidade

A flor da Honestidade




Li uma história na sala de aula, versando sobre Honestidade, em conformidade com a Educação para a Paz, iniciativa da Pastoral da Educação, aliada a Secretaria da Educação.

Nessa história fala-se um jovem príncipe chinês, no intento de casar-se, fez uma festa com as mulheres mais belas do reino, dando a elas um vaso com uma semente.

Entre essas mulheres estava uma jovem pobrezinha, filha da criada do Palácio, que amava profundamente o príncipe, mas que queria estar na festa somente para ficar perto do príncipe a quem amava profundamente, sabedora de que não teria a menor chance.

Ela também recebeu o vaso e esperou seis meses para que a flor crescesse, pois o príncipe iria se casar com a moça cuja semente gerasse a flor mais bela.

No dia da entrega dos vasos de flores, todas as outras moças chegaram com os seus vasos, com as flores mais lindas do mundo.

A pobre moça chegou com o vaso vazio. Apesar dos cuidados, nada havia germinado.

O príncipe a escolheu, pois revelou que naqueles vasos não havia nenhuma semente. E que as plantas dos outros vasos eram de sementes que as mulheres colocaram.

Essa história tem tudo a ver com a cultura chinesa que acredita no cultivo de todas as coisas.

Por uma coincidência, uma aluninha trouxe um vaso com uma florzinha amarela e me entregou.

È tão honesto esse proceder quanto o amor mútuo que eu dedico a educação dos meus infantes.

Deus se revela e nos revela momentos especiais.







domingo, 28 de março de 2010

Palestra de Gabriel- Algumas reflexões

Palestra de Gabriel Chalita




...Sobre as habilidades do sujeito




...As habilidades do sujeito evidenciam-se no momento em que está aprendendo. Cabe ao professor aflorar essas habilidades e desenvolvê-las do modo certo.

Se não souber como fazer pode até inibir o aflorar dessas habilidades.

Em sua palestra, no Clube da Terceira idade em 26 de Março, Chalita falou sobre três habilidades: cognitiva, social e emocional.

Ressaltou que as habilidades cognitivas, a dos conhecimentos e do saber fazer está circunscrito até ao ato de plantar uma horta ou cozinhar.

Isso é bonito e muito puro.

Pois quem imaginava que a palestra do Professor Gabriel seria impregnada de termos difíceis e eruditos pensou errado.

O tempo todo, nessa linguagem pura e simples de um bom menino, ele falou ao coração das pessoas e não ao seu intelecto, diretamente. Falou também ao intelecto, mas a sua primazia é tocar o coração das pessoas.

A propósito, a Secretária da Educação abriu a palestra com um poema de Cora Coralina:

Não sei... Se a vida é curta

Ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas

Não é ele o autor da Pedagogia do amor? Gabriel tem uma importância enorme, pois ele é construtor de conhecimento. E Chalita é filósofo e doutor em Semiótica.

“A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem significa o que o rodeia” . (Wikipédia).

E a Pedagogia estuda também esse contexto humano.

Sempre me questiono o que ficou interiorizado em cinco anos de Curso. Hoje sei que as minhas colegas de Curso estão todas trabalhando. Creio que todas ainda estão com a mesma referência de saber que o nosso trabalho vai além de ser burocrata da educação.

Os professores comentavam que o Curso de Pedagogia só teria sua verdadeira relevância se a nossa missão fosse a de produzir conhecimento e lançar sementes.

.Muito daquilo apoiado pelas idéias de Freire e de Rubem Alves.

Luís Felipe Ponde perde quando afirma que o conhecimento das Ciências Humanas está pobre de cientificismo.(Folha de São Paulo) .

Hoje, Marcelo Gleiser,(Folha de São Paulo), que não crê em Deus afirmou no caderno “Mais” que o mito da ciência e do conhecimento científico em destruir a fé das pessoas não tem razão de ser. A Ciência está a serviço de auxiliar o ser humano na superação das dificuldades da sobrevivência. Crer ou não em Deus é uma escolha consciente que deve ser respeitada.

E o Curso de Pedagogia, como toda ciência humana, está centrada nas aquisições do sujeito em sua evolução como “homo sapiens”, e esse é o viés primeiro dos estudos que se fazem sobre a criatura humana, portanto, ciência pura.

Voltando ao palestrante, ele referiu-se as habilidades sociais, que é o de saber conviver bem no ambiente social, dentro do processo civilizado e civilizatório.

Que o docente deve respeitar a criatividade da criança e ter tolerância com seus comportamentos rebeldes. Nesse momento, foi muito apropriada a parábola das ovelhas, que é o significado da educação heterogênea, pois devemos ter muita atenção e educar todas as crianças, pois se uma criança fica sem receber nossa atenção e educação, é como se uma ovelha tivesse escapado do rebanho e se perdido.

Devemos ter cuidado com a nossa postura de educadores e lembrar que somos, de fato, educadoras e educadores.

Lembrou da iniciativa da Pastoral em sugerir que nas escolas se aconteça a Educação para a Paz. E que a educação pacífica começa com o conteúdo e não com a forma.

Resumo da ópera: aprendo com o outro a dar valor na minha vida.

Se as professoras e os professores não aprenderem a dar valor nas crianças que formam e informam, eles não podem, de fato e de verdade, enxergar em si a condição de cidadãos com potencialidades que virão ser se desabrochadas do jeito certo.

O sistema está aí , a serviço de reduzir nosso trabalho a uma forma capitalista: o aluno é o cliente, nós somos trabalhadores da educação, assinadores de pontos. ( Painel do Leitor, Folha, 28/03/10).

A minha pergunta final é a de querer saber, se além de Chalita, quem valoriza o professor?

Mas essa é outra questão e está centrada no sujeito professor.

A palestra foi centrada no sujeito aluno, afinal de contas. Embora, na realidade, nunca deixamos de ser alunos e alunas.

Um poema de Cora Coralina

Saber Viver






Não sei... Se a vida é curta

Ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.



Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.



E isso não é coisa de outro mundo,

É o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

Não seja nem curta,

Nem longa demais,

Mas que seja intensa,

Verdadeira, pura... Enquanto durar



Cora Coralina

quarta-feira, 24 de março de 2010

Zona de Desenvolvimento Proximal

Na zona do desenvolvimento proximal, como se refere Vigotsky, percebo o quanto a gente pensa que sabe uma coisas mas sempre há algo a aprender.


O Projeto Ler e Escrever têm sido uma verdadeira seara de aprendizados e fico muito feliz por saber que as professoras têm muito conhecimento que adquiriram em cursos de capacitação.

A coordenadora é um manancial de conhecimentos, muito alegre e cordial e nos ensina muuuuito mesmo.

Parabéns. Hoje estou feliz com a Educação que me foi ministrada e que ministrei.Dia altamente positivo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

CARTA ABERTA A POPULAÇÃO DE ASSIS




Recentemente, o Jornal Voz da Terra publicou uma carta aberta a população escrita pelo eminente Dirigente regional de Ensino, o Sr. Cleómenes Santana.

Nessa carta, ele dizia aos pais e mães de alunos e alunas que havia os bons professores em exercício nas escolas estaduais, apesar da greve e que os (maus) professores grevistas não haviam avaliado os efeitos psicológicos, físicos e financeiros que a greve trará;

Diz ainda que agora os aumentos salariais dos professores obedecem a regras e que o bom professor terá 25% de aumento ao ano em seu salário.

Gosto muito da pessoa do senhor Cleómenes.Ele me inspira simpatia.

Profissionalmente, não me amparou quando eu mais precisei.

Perdi a minha vaga depois de ter tido a minha vida seriamente prejudicada pelo desemprego involuntário que o Estado em colocou, suspendendo o meu salário e sabedor de que eu sou o arrimo da minha família com quatro filhos para criar.

Comuniquei ao senhor Cleomenes que eu tinha efetuado um empréstimo no Banco e que eu tinha comprado um carro financiado para trabalhar em Cruzália em substituição;

Todos fizeram ouvidos moucos aos meus lamentos.

Queriam que eu fosse morar em São Paulo, assumisse a minha ex-sala lá;

Ninguém se preocupou com os efeitos psicológicos, físicos e financeiros que essa falta de misericórdia causou em minha vida particular.

O senhor Paulo Renato de Souza já deve ter até trocado de carro esse ano, afinal de contas enquanto que eu tenho todo o perfil para virar moradora de rua.

Ipsis literis, facto factorum, todo docente tem a sua vida particular. E o Estado não está nem aí para os efeitos psicológicos, físicos e financeiros que as suas exigências descabidas trazem a vida dos docentes.

Quem já tem o seu emprego, pertence a elite e é até presidente de um Clube, não percebe o caos que é a vida de um professor ou professora pobre que depende unicamente de sue salário para sobreviver.

E o nosso querido amigo não contou que 25% de aumento é só para os professores da panelinha;

Os outros vivem em uma situação sub humana, que nem eu , que estou sem emprego por parte do Estado e que estou sendo despejada do imóvel que eu resido.

È uma vergonha absoluta!!

Deve ser porque eu sou uma menina má e uma professora má.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Concepções equivocadas

Concepção de ensino, concepção de aluno, concepção de professor





Já está comprometido o meu ensaio por causa das formas de nomenclatura do sujeito que iniciou o texto: as concepções também se referem a aluna e a professora.Mas o costume é baseado na complexidade da desigualdade de gêneros, utilizando o gênero masculino para se referir ao masculino e feminino, todavia, talvez pensem ser cansativo ficar falando o aluno e aluna, mas essa forma seria a correta .
Mas esse é o menor dos problemas.
O maior deles é essa concepção de aluno e de professor que está cristalizado na mente dos que trabalham com a educação e a forma com que trata o profissional de educação como se ele ou ela não tivesse vontade própria.
Fiquei consternada com o caderno que o Estado deu ao meu filho para que ele pudesse estudar. Feito de material reciclado lembrava em muito a cor do papel de pão.
Louvável a iniciativa de se aproveitar e reciclar, mas será que esse material está na carteira do neto do Paulo Renato e do José Serra?
Os alunos de uma escola estadual de São Paulo iniciaram o ano sentados em pedaços de papelão porque não tinham carteira, como diz o Caderno Cotidiano da Folha de São Paulo, sexta feira, dia 20 de Fevereiro.
Lembra muito as sobras de porco que os senhores jogavam fora e os negros recolhiam para colocar no seu feijão preto, dando origem a nossa afamada feijoada.
No meu entender, todas essas coisas fazem parte da concepção equivocada de aluno, de professor e de escola que tem os nossos governantes.
O que me resta pensar é que essas sobras e esses restos se juntam a imposição de deslocar-se da sua cidade para trabalhar onde o governo determina que você deva trabalhar.
Como senhores e escravos. E se você não fizer do jeito que manda, ra re ri ro rua;
Um policial militar em Assis se suicidou pois não agüentava ficar longe da mulher e da filha, quando foi obrigado a ir trabalhar em outra cidade.Banto.
A escrava que vos fala não pode ir morar na grande cidade, fazendo a vontade do grande senhor, então a porta da rua é a serventia da casa.
A democracia e a equidade estão muito longe de ser verdade. Vivemos uma pseudo democracia, travestida de assistencialismo e servidão. Isso é muito grave.
O Brasil ainda é escravista, a nomenclatura mudou.
Ao invés de senhores de engenho, temos o Estado.Ao invés de escravos e escravas, a massa famélica e falida.
E os afrodescendentes, cada vez mais sem dentes, por falta de dinheiro para comprar escova e pasta, lutam com unhas e dentes por um lugarzinho ao sol e alguns  de nós  acabam vendo o sol ir nascer quadrado , juntamente com os brancos pobres que não tem capital material o suficiente.